Crítica | Batman: O Cavaleiro de Gotham (2008)

Diferentemente dos outros filmes animados da DC, Batman: O Cavaleiro de Gotham não é um longa metragem, e sim  uma compilado de curtas  reunidos e com várias  interpretações de diretores de anime sobre o personagem icônico dos quadrinhos.

No curta  “Have I Got a Story For You”, de Shoujirou Nishimi  tem traço estilizado para contar a história da impressão que o morcego imprime em cada um dos que o vêem.  Muito bem construído na parte visual com fortes traços realistas nos cenário. Esse curta aborda o Batman  quase como uma lenda urbana, em que o exagero sobre seus feitos são muito mais importantes do que sua existência real. Mais ou menos a ideia de Bruce Wayne quando resolveu usar um símbolo como o morcego , para combater o crime em sua violenta cidade. Enquanto no presente Batman está ferido nos esgotos, em flashbacks passa a se lembrar dos ensinamentos de Cassandra, a mulher que tentou mostrar ao jovem Wayne como minimizar sua dor.

Crossfire” de Futoshi Higashide, é mais tradicional nos traços de anime e no seu roteiro. Explora a relação conturbada  entre Batman e a polícia de Gotham através dos olhos dos detetives Allen e Ramirez que se envolvem num fogo cruzado ao deixarem um fugitivo na cadeia. Batman funciona como uma espécie de figura enigmática e vigilante sempre a espreita pouco abordado nos filmes em live action. A montagem desse episódio é primorosa e insere o espectador com grande felicidade numa espiral de claustrofobia.

Em “Field Test” de Hiroshi Morioka , é o mais fraco curta do compilado. Uma história simplória sobre o uso de um novo elemento do uniforme do Batman que não funciona tão bem. Participação de Lucius Fox e uma caracterização infeliz de Bruce Wayne, que parece muito mais novo do que o personagem dos filmes e mesmo dos quadrinhos.

No curta “In Darkness Dwells” de Yusuhiro Aoki e Yuichiro Hayashi , conta uma história envolvendo dois vilões bem tradicionais do morcego. O Espantalho (com um visual que mescla o do filme de Batman Begins e HQs) e o Crocodilo. Usando e abusando de altos contrastes inserindo a história numa escuridão muito parecida com o clima dos momentos mais sombrios do personagem, apresenta um roteiro simples mais muito bem conduzido . Em termos de fidelidade ao clima dos quadrinhos,  sem dúvida é que mais se destaca e talvez por isso.

Em “Working Through Pain” de Toshiyuki Kubooka é excelente. Sem dúvida o mais impactante, inteligente e bem construído em termos narrativos. Não tem um visual arrebatador infelizmente, mas tem uma história muito boa e que acaba compensando alguns poucos defeitos. Bastante visceral , e pode ser considerado o mais violento de todos os curtas , tem ótimos diálogos também. Repleto de referências a cultura oriental obviamente, aos quadrinhos e também tem  fabulosas filosofias de vida , é uma aula de como construir em pouco mais de dez minutos uma narrativa coesa e inteligente.

Por ultimo em “Deadshot” encerra os curtas reunidos de maneira mediana. A animação do coreano Jong-Sik Nam (dirigiu Dante’s Inferno) é cheio de belas cenas de ação que envolvem o vilão-b, Pistoleiro em sua tentativa de eliminar seus alvos (lembra muito O Procurado) e o Batman tentando impedi-lo. Provavelmente, em todos os curtas, o personagem foi melhor explorado psicologicamente do que em 70 anos de histórias em quadrinhos. Vale a pena conferir ou rever esse compilado.

Batman – O Cavaleiro de Gotham- 2008 (Batman – Gotham Knight – EUA)

Direção: Yshuhiro Aoki, Yûichirô Hayashi, Futoshi Higashide, Toshiyuki Kubooka, Hiroshi Marioka, Jong-Sik Nam, Shoujirou Nishimi.

Roteiro: Jordan Goldberg, Josh Olson, Greg Rucka, David S. Goyer, Brian Azzarelo, Alan Burnett.

Elenco: Kevin Conroy, Jason Marsden, Scott Menville, George Newbern, Corey Padnos, Crystal Scales, Alanna Ubach, Hynden Walch, Corey Burton.

Duração: 75 min.