Presidente da Microsoft critica “corrida pela IA”

O presidente da Microsoft, Brad Smith, disse que podemos ter um “futuro orwelliano” caso a “corrida pela inteligência artificial” (IA) entre EUA e China não seja devidamente regulamentada e baseada em leis de ética. As afirmações foram feitas durante entrevista à BBC.

Smith fez referência ao romance “1984”, escrito por George Orwell, onde um partido toma o controle do mundo por meio de revisionismo histórico e um estado de vigilância global completa e onipresente. Para Smith, já há partes interessadas em empregar a IA na vigilância de seus cidadãos em diversos países.

“Eu me lembro constantemente das lições de George Orwell em seu livro, ‘1984’”, disse Smith. “A história fundamental era sobre um governo que enxergava tudo o que todos faziam e ouvia tudo o que todos diziam, o tempo todo. Bem, isso não aconteceu [conosco] em 1984, mas se não tivermos cuidado, isso pode acontecer em 2024”.

O presidente da Microsoft lembrou que, na China, aspectos da inteligência artificial já começaram a ser empregados no dia a dia: sistemas de reconhecimento facial automatizado já são empregados pela polícia chinesa na busca por criminosos e dissidentes políticos do governo. Em alguns locais nos EUA e China também usam reconhecimento facial ao invés de passagens de trem, ônibus e metrô.

A inteligência artificial, de uma forma resumida, é a tecnologia capaz de “aprender” certos padrões de comportamento ao analisar, em um curto espaço de tempo, quantidades massivas de dados. Desta forma, ela estabelece um padrão analítico que prevê determinados resultados antes de eles virem a acontecer.

A boa notícia é que há diversos esforços para a regulamentação e criação de um código de ética voltado ao desenvolvimento dessa tecnologia. Ao contrário do que teme o presidente da Microsoft, a “corrida pela IA” deve ainda esbarrar em obstáculos legislativos: na Europa, propostas de lei almejam proibir o uso dela para fins de “segregação da população”, enquanto sua aplicação em áreas de infraestrutura, como distribuição de alimentos, gerenciamento de combustíveis ou o mercado financeiro, deve obedecer a pesadas regras de transparência e compliance – além de nunca tomar decisões autônomas, apenas sugerir caminhos para a decisão humana.

Fonte: OD

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