Crítica | Ninguém Vai te Salvar (2023)

O filme nos apresenta a solitária Brynn, uma jovem isolada cujo único hobby é escrever para sua melhor amiga e criar uma pequena e idílica cidade em miniatura onde tudo corre em paz e harmonia, ao contrário do que ela vive todos os dias, dado que tem um existência mais solitária.

Porém, uma noite sua calma é perturbada quando alguns ruídos a acordam. Ela logo descobre que sua casa está sendo assaltada por seres extraterrestres que tentam entrar em sua casa, então ela é forçada a se esconder, lutar e fugir. A magnitude do que acontece supera suas expectativas e ela logo descobre que fugir das criaturas que a cercam será muito mais difícil do que ela poderia imaginar a princípio. Ela está sozinha e não sabe suas intenções.

Existem várias decisões criativas bastante ousadas em Ninguém Vai te Salvar. A primeira delas é usar uma invasão alienígena como desculpa ou metáfora para o processo que Brynn precisa passar para viver em paz. A segunda, já apontamos: abrir mão dos diálogos para deixar que as situações nos digam o que está acontecendo.

E isso é sustentado pela grande força do filme, que é ter uma atriz muito expressiva. Através do seu rosto e linguagem corporal passamos por toda uma gama de sensações: medo, nojo, raiva, vergonha, decisão, ansiedade, arrependimento… Uma jornada bastante emocional.

Aqui os alienígenas não nos ficam escondidos até chegarmos ao final, mas sim os vemos quase desde o início. Há uma aposta muito honesta de que o espectador sabe o que está acontecendo a todo momento e pode focar na história dessa mulher, tão “sozinha diante do perigo”.

Em linhas gerais, Ninguém vai te salvar é um filme muito clássico: o uso da luz, a abordagem visual, o design de produção… até o clímax final, algo mais psicodélico, que nos leva à memória de Brynn e dá sentido ao seu sofrimento ( necessário para superar o pecado cometido no passado), remete-nos para toda uma tradição de filmes de terror que beira o fantástico.

Apenas duas desvantagens: algum excesso ocasional de CGI e o fato de ele não nos deixar realmente assustados . Consegue cativar a atenção do começo ao fim, mas não é um daqueles filmes que vai fazer você olhar de soslaio pela janela pensando que não estamos sozinhos.

Ninguém Vai te salvar é um filme original, muito bem construído, atuado e cheio de referências a filmes clássicos como Invasão de Corpos.

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *