Análise | Marvel Disk Wars: The Avengers (2014)

Responda rápido: o que Vingadores e Pokémon têm em comum?

Se você respondeu que ambos tiveram um anime feito exclusivamente para vender brinquedos, está redondamente certo. Marvel Disk Wars: The Avengers foi uma tentativa inusitada da Marvel de emplacar uma série animada feita sob medida para o público oriental com alguns dos heróis mais conhecidos da Terra. A animação foi desenvolvida pelo estúdio Toei Animation e dirigida por Toshiaki Komura (que também dirigiu animes como Ring ni Kakero e Tiger Mask W), tendo estreado em 2014 na TV Tokyo e no Disney XD do Japão, possuindo um total de 51 episódios.

Aqui já vemos o primeiro problema: três meses antes estreara na Teletoon, canal concorrente, Yo-Kai Watch, anime com a mesma proposta de vender brinquedos, mas que já vinha tendo um sucesso estrondoso no Japão (sendo considerado um sucessor para Pokémon por lá, mas não fez tanto barulho no Ocidente). Ou seja, nossos pobres heróis não tinham condições de bater de frente com esse colosso naqueles lados.

A trama é a seguinte: as Indústrias Stark inventam uma nova tecnologia chamada D.I.S.K. (Digital Identity Securement Kit), pequenos objetos triangulares que servem para digitalizar e aprisionar criminosos e facilitar seu encarceramento. Para a surpresa de ninguém, essa ideia dá terrivelmente errado, pois Loki e um grupo de bandidos mascarados roubam os DISKs e os utilizam para realizar uma fuga em massa da Balsa, uma prisão de supervilões altamente perigosos. Unidos, eles derrotam nossos heróis e os aprisionam em DISKs.

No entanto, quando tudo parecia perdido, um grupo de crianças genéricas aparecem e conseguem libertar os heróis dos DISKs – atirando os objetos epicamente na direção do chão – mas o efeito é temporário. Durante a luta, infinitos DISKs se espalham pela Terra e aprisionam diversos super-humanos, bonzinhos e malvados. E, como a SHIELD não consegue reverter permanentemente o efeito dos DISKs, cabe aos Vingadores unirem forças a essas crianças a fim de encontrarem todos os DISKs perdidos e impedir que caiam em mãos erradas, com uma eventual ajudinha do Homem-Aranha (que foi um dos únicos super-heróis não aprisionados).

Sobre os personagens, o núcleo principal dos Vingadores é composto por: Homem de Ferro, Hulk, Thor, Capitão América e Vespa, além do Homem-Aranha, que acaba sendo um aliado esporádico. Diversos heróis e vilões secundários também aparecem constantemente nos episódios. Todos com esse design de anime estilizado, que ficou interessante para alguns, como os cinco protagonistas (apesar do Capitão parecer um Megaman patriota, mas enfim), mas bizarro para outros. Ao menos, suas personalidades originais foram respeitadas pelo roteiro. O Homem de Ferro é fanfarrão, o Capitão é um líder destemido, o Hulk é um grandalhão bobo, e assim por diante.

Só que eles não são o foco da história. Não, não, isso seria óbvio demais. Em vez disso, temos um grupo de crianças fazendo meio que o papel de “digiescolhidos”. São eles: Edward, um menino medroso e tímido que controla o Hulk (irônico, não?); Chris, aquele personagem chavoso que faz “hunf” para tudo e controla o Capitão América; Akira, um garoto impulsivo e corajoso igual a toda criança protagonista de anime, que, obviamente, comanda o Homem de Ferro; Hikaru, irmão mais velho de Akira e que atua como a voz da razão para o grupo, controlando o Thor; e, por fim, Jessica, a menina metida que se acha a última poção de cura do inventário e comanda a Vespa.

O anime foca demais no grupo de crianças, que têm seus próprios arcos narrativos e dramas pessoais, deixando os heróis dos Vingadores em segundo plano, como mascotes mesmo. A trama não é interessante, os episódios têm diálogos demais e pouquíssima ação, e quando as lutas ocorrem, demonstram uma animação de qualidade bem baixa (algo grave para uma série shonen). Sem contar as cenas de invocação dos heróis, seguindo a linha Sailor Moon ou Digivolução, que até são bem legais, mas ficam enjoativas rápido. É visível que foram feitas só para encher linguiça nos episódios (o que, aliás, é uma estratégia antiga dos animes para economizar custos de produção). A dublagem original está decente, e a trilha sonora é agradável de ouvir (principalmente os temas de abertura e de encerramento).

Eu sei que talvez esteja exigindo demais de um desenho feito a toque de caixa e pensado principalmente para merchandising, mas bem que a Toei podia ter se esforçado um pouco mais, inclusive por estar lidando com personagens tão icônicos e admirados mundo afora. O enredo inusitado aliado à animação fraca certamente não agradou a todos, sendo uma oportunidade desperdiçada. Enfim, é uma série que eu não posso recomendar como entretenimento, mas talvez valha a título de curiosidade, caso você queira ver como seria uma reimaginação nipônica para os Super-Heróis Mais Poderosos da Terra. Esperamos que o novo anime dos Vingadores, que está sendo desenvolvido pela MadHouse, seja mais interessante que este.

E então, o que acharam da análise? Já conheciam esse anime? Chegaram a assistir? Compartilhe suas opiniões no espaço abaixo. Obrigado pela atenção!

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