Recomendação | Hokuto no Ken O Punho da Estrela do Norte!

Pouco conhecido no ocidente, mas um ícone no Japão, com uma tremenda importância como precursor de um estilo muito amado, Hokuto no Ken foi lançado em 1984 pela gigante Toei Animation, sendo o primeiro a introduzir batalhas épicas e destruição em massa como as de DBZ e Naruto.

Essa obra extrapola todos os limites de violência e não economiza no banho de sangue, membros destruídos e cabeças explodindo são uma constante, também possui um lado sensível e melancólico, retratando de forma realista a tristeza dos injustiçados e oprimidos sob o julgo dos tiranos, prepare-se para ver inocentes morrendo aos montes e o herói nem sempre chegando a tempo para salvar a todos. Falar de Hokuto No Ken é viajar até os anos 80, época em que produções estreladas por Sylvester Stallone, Arnold Schwarzenegger, Mel Gibson e companhia, ocupavam o lugar dos nossos Blockbusters atuais. Nessa época, você poderia ver o Arnold Schwarzenegger nocauteando um camelo com os punhos em uma cena de Conan, e seria a coisa mais corriqueira do mundo.

Nesse contexto de testosterona pura e cristalina, o Mangaká “Yoshiyuki Okamura” mais conhecido como “Buronson”, (qualquer semelhança com Charles Bronson não é mera coincidência), concebeu o Mangá/anime mais mortal e violento que você possa imaginar, a arte ficou a cargo de “Tetsuo Hara”. Ambientado em um cenário pós-apocalíptico castigado pela escassez de água, comida e combustível, dominado por Punks sádicos e perversos, o anime se passa em 199X e retrata um mundo desolado por uma guerra nuclear, prevalecendo à lei do mais forte. A inspiração em Mad Max e Highlander fica evidente no decorrer dos episódios, mas nada que tire a originalidade da obra, identifica-se muita coisa inspirada em personagens clássicos, mas acabamos julgando-as homenagens muito bem vindas por parte de Buronson.

Um aspecto que chama a atenção é a atmosfera de pessimismo e a impossibilidade de consertar a sociedade distorcida que se formou. Por tais razões, o protagonista se mostra um tanto amargurado e até desdenhoso no começo. Kenshiro é um dos quatro filhos adotivos do Mestre Ryuken, o escolhido para carregar o título de mestre supremo da arte de assassinato Hokuto Shinken. A arte marcial é tão restrita, que só permite um único mestre por vez, de modo que os demais alunos, considerados indignos, devem abdicar da arte ou morrer. A arte de Hokuto confere praticamente os poderes de um Deus, sendo usada tanto para tirar vidas a partir de golpes de pressão em pontos vitais, quanto para curar problemas físicos e traumas psicológicos, em alguns momentos, é usada até como uma espécie de soro da verdade.

Kenshiro tem um quê de Bruce Lee, Rambo, e Max Rockatansky, acredite quando digo que você não vai encontrar protagonista mais durão. A motivação para toda a fúria de Ken está na busca de sua amada, a bela Yuria que foi sequestrada pelo primeiro antagonista do anime, Shin.

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Como em qualquer jornada do herói, Kenshiro vai fazendo amigos ao longo do caminho, os mais marcantes são a garotinha muda Lyn e Bart, um garoto malandro que vive com uma gaita na mão, ambos enxergam a nobreza e força de Ken e decidem acompanha-lo.

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O enredo é simples e direto, foge do enfadonho e privilegia a ação, afinal, essa é a proposta. Vamos acompanhar Kenshiro trucidando malfeitores com incríveis golpes que causam a explosão de cabeças e membros enquanto grita coisas como “atatatatatatatatatata… Waaaa tchaaaaaa!!!!!!!” no melhor estilo Bruce Lee, a recorrente frase de efeito “Omae wa mo shindeiru” (você já está morto) é um clássico do anime, e não enjoamos de escutar.

De que adiantaria um protagonista “fodão” sem um esmero na construção dos vilões? Vemos aí, outro trunfo do anime, você ficará boquiaberto com a riqueza de vilões e o nível de psicopatia de cada um, caras tão sacanas a ponto de sequestrar e escravizar uma população inteira e obriga-los a construir uma pirâmide. Enfim, o plantel de vilões é tão incrível e vasto, que em uma oportunidade apenas, não daria conta de abordar a todos, um em especial chama a atenção, imagine um cara tão arrogante, que fica o tempo todo em cima de um corcel gigantesco, e só desce do cavalo para enfrentar adversários que julga valorosos, este é o grande Ken-Oh, um dos muitos personagens espetaculares desse anime indispensável. Para você que curte ação, pancadaria, batalhas épicas e aquele clima de revanchismo que dificilmente encontraremos nas produções atuais, esse anime é um prato cheio.

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Quanto à qualidade da animação, é difícil avaliar a arte de uma produção com mais de 30 anos, afinal, estamos falando de um avô dos animes, da época em que tudo era feito à mão. E mesmo para os padrões atuais, os traços são muito bons e cumprem seu papel. A trilha sonora é emocionante, e a abertura, confira no link abaixo e tire suas próprias conclusões (cá para nós, no mínimo empolgante).

https://www.youtube.com/watch?v=CvzAazSknGw

Se preferir uma abertura mais irreverente para o anime, confira essa (japoneses extrapolam as vezes, que vergonha alheia meu Deus):

https://www.youtube.com/watch?v=yVd1Ls9cnsk

O anime possui 109 episódios, direção de Toyoo Ashida, autoria de Buronson, arte de Tetsuo Hara e foi ao ar entre 1984 e 1987 pelo estúdio Toei Animation. Possui ainda uma continuação denominada Hokuto no Ken 2, com mais 43 episódios exibida pela Toei Animation de 1987 a 1988. Conta com mais 5 OVA’s que valem a pena e um filme em live action de 1995, que não vale a pena! Grande quantidade de material a ser apreciada!

Enfim, é mais uma recomendação de anime, espero que gostem meus amigos geeks!!!

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