Crítica | Rahxephon

 

RahXephon é um excelente anime exibido em 2002 na Fuji TV. Com uma trama complexa e envolvente, RahXephon tomou de assalto o público japonês e se tornou um dos grandes sucessos da temporada. Apesar de algumas semelhanças inegáveis com Evangelion (mechas gigantescos, aspectos religiosos, pessoas predestinadas, etc.), RahXephon possui brilho próprio, com uma história central original e retratada com maestria pelos gênios do Bones.

Kamina Ayato é um rapaz de 17 anos, preguiçoso quando o assunto envolve estudos, mas que adora pintar no sossego de seu quarto. Junto aos amigos Torigai Mamoru e Asahina Hiroko, Ayato vai levando a vida sem atropelos, mesmo sentindo falta do carinho materno, já que sua mãe passa praticamente todo o dia no trabalho e dificilmente lhe faz companhia em casa.

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Certo dia, o trem no qual viajava com seus amigos sofre um acidente inesperado, e Ayato não demora a descobrir a razão por trás do desastre… um terrível ataque aéreo, que causa uma imensa destruição em Tokyo, cidade onde mora. Enquanto procura por ajuda para seus amigos feridos, Ayato encontra sua bela e enigmática colega Reika Mishima, parada em pé, em meio à destruição. Uma série de eventos estranhos acontecem em seqüência, culminando com a chegada de Ayato ao Templo Xephon. Dentro deste Templo existe um recinto chamado Sala de Rah, onde se encontra um gigantesco ovo flutuante. Sem entender o que está acontecendo, Ayato entra numa espécie de transe, e estimulado pelas palavras de Reika (“Desperte, Ayato… desperte!”), murmura: “RahXephon!”.

O espectador é  jogado de cabeça num universo complexo, e ficará tão ou mais confuso que o próprio Ayato, à medida em que as perguntas vão se acumulando na cabeça: O que é MU? Por que algumas pessoas têm sangue azul? O que significa o termo “Orin”? O que é Tokyo Jupiter, na realidade? O que é o Ovo Negro? O que é a Fundação? Para que serve a organização TERRA? O que significam os desenhos que Ayato possui no corpo?

Apesar da trama cerebral e da quantidade de perguntas que vão ficando no ar, RahXephon não padece do mesmo problema de ritmo presente em Serial Experiments Lain. As perguntas vão aparecendo aos poucos, à medida em que a trama engrena, mas entremeadas por batalhas de tirar o fôlego, além de dramas pessoais muito convincentes.

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RahXephon impressiona nos aspectos técnicos, com uma animação de qualidade excepcional, sobretudo nas cenas de combate aéreo , sendo o responsável o estúdio Bones. O uso de cores suaves, o inovador desenho dos robôs e o ótimo traço dos personagens vêm para completar a excelência visual desta série. Em relação à parte sonora, RahXephon é um anime no qual o som possui importância fundamental, uma vez que a principal forma de ataque dos robôs é através de ondas sonoras, provenientes de árias místicas cantadas pelos mesmos. É de se estranhar, portanto, que sua trilha sonora seja tão inexpressiva, nem de longe chegando ao nível de Escaflowne ou Seikai no Monshou / Seikai no Senki. Pelo menos a música de abertura, “Hemisphere”, cantado por Maaya Sakamoto, é muito boa.

Se formos comparar RahXephon a Evangelion, é preciso dizer de cara que Kamina Ayato arrasa com Shinji Ikari, em todos os aspectos. Ayato tem personalidade, é questionador e não fica reclamando da vida por qualquer motivo. Ainda nas comparações com EVA, podemos citar Shitou Haruka, outra personagem importante na história e que possui características que lembram muito a major Misato Katsuragi, como a emotividade e o gosto pela bebida. O Comandante Kunugi possui pontos em comum com Gendou Ikari, e a misteriosa Quon, uma bela garota de saúde frágil, tem algo que lembra Rei Ayanami. Isto não quer dizer, em hipótese alguma, que suas personalidades sejam idênticas às dos personagens de Evangelion.

RahXephon tinha tudo para ser uma série perfeita, mas acaba esbarrando em alguns problemas. Além do já tradicional ritmo errático, comum à maioria das séries para TV, RahXephon cai na armadilha de apelar para os exageros dramáticos, como personagens que morrem apenas para causar comoção, ou que decidem jogar a própria vida fora para salvar a vida de outros. Felizmente estes problemas ocorrem apenas em alguns poucos momentos, e não estragam o conjunto da obra.

 

Fica a dica, Rahxephon é um anime diferente dos animes padrões. A serie de 2002 continua acima da média. 

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